12/05/2016

Hipátia: A Primeira Grande Matemática

Imagem da internet
Muito se sabe sobre gênios da matemática como: Arquimedes, Euclides, Pitágoras… Mas, poucos conhecem a história de mulheres que fizeram esse trajeto.

Hipátia (370 – 415) nasceu em Alexandria, Egito. Filha de Theon de Alexandria, famoso filósofo, astrônomo e mestre de matemática no Museu desta cidade.

Desde criança Hipátia recebeu de seu pai – o qual também era seu professor – educação em matemática e astronomia onde se destacaria posteriormente, mas foi estudar filosofia na escola do neoplatonismo.

Cresceu em um tempo onde sua cidade era o centro da atividade intelectual no mundo ocidental, repleto de vida
cultural e filosófica; ela mantinha forte ligação com seu pai, fonte de seu saber e de sua incessante busca de respostas para o desconhecido. Teve em sua educação estudos de arte, ciência e literatura. Porém, cultivava não somente um cérebro privilegiado, mas um corpo são. Submetendo-se a uma rigorosa disciplina física, para atingir o ideal helênico e, sem descuidar-se da oratória e retórica, importantes na aceitação e integração das pessoas na sociedade da época.

Alguns autores dizem que foi a Atenas para concluir seus estudos na Academia Neoplatônica regressando mais tarde a Alexandria onde foi convidada para lecionar juntamente com aqueles que haviam sido seus professores. Como estudante destacou-se pelos seus esforços de unir a matemática do algebrista Diofanto ao neoplatonismo de Plotino. Ou seja, ela empreendeu a adequação da razão matemática à ideia da mônada das mônadas, cultivada pelos adeptos do neoplatonismo. Sabemos então que desenvolveu estudos sobre a Álgebra de Diofanto (“Sobre o Cânon Astronômico de Diofanto”), tendo escrito um tratado sobre o assunto e “Syntaxis Matemática” de Ptolomeu. Também é conhecida por seu livro chamado “Almagesto”, que em árabe significa “o maior”, além de comentários sobre os matemáticos clássicos, incluindo Ptolomeu e juntamente com o pai, escreveu um tratado sobre Euclides.

Um dos seus alunos foi o renomado filósofo e bispo Sinésio de Cirene, o qual escrevia-lhe frequentemente pedindo conselhos. Através destas cartas, foi possível saber que Hipátia desenvolveu alguns instrumentos usados na física e na astronomia.

Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos perdidos na resolução de seus problemas, escreviam-lhe pedindo uma solução. E ela raramente os desapontava. Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam porque jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade.

Nenhum trabalho escrito, amplamente reconhecido pelos estudiosos como sendo da própria Hipátia, sobreviveu até o presente momento. Alguns foram destruídos com a Biblioteca, outros quando o templo de Serápis foi saqueado. Muitas das obras comumente atribuídas a ela se acredita-se ter sido obra de colaboração com o seu pai, sendo esse tipo de incerteza autoral típico dos filósofos do sexo feminino na Antiguidade.

Suas contribuições para a ciência incluem o mapeamento dos corpos celestes e supostamente a invenção do hidrômetro.

Seu aluno Sinésio, escreveu-lhe uma carta descrevendo a construção de um astrolábio. Porém, a existência do astrolábio antecede Sinésio em pelo menos um século, e o pai de Hipátia ganhou fama por seu tratado sobre o assunto. No entanto, Sinésio afirmou que se tratava de um modelo melhorado.

A tragédia de Hipátia de Alexandria foi ter vivido numa época de luta entre paganismo e cristianismo.

O cristianismo era florescente nessa época, tanto no aspecto político como intelectual, e começava a entrar em conflito com as religiões e as filosofias pagãs. O edito do imperador Teodósio, a respeito das práticas de cultos pagãos, havia desatado distúrbios entre pagãos e cristãos.

Apesar de tudo e durante um tempo, Hipátia conseguiu sobreviver e prosperar em seus estudos e ensinamentos. Mas finalmente sua sabedoria fez-se insuportável para os interesses opostos que sempre apagam as velas neste mundo. Assim, um grupo de monges, cumprindo os desejos do bispo de Alexandria, arrastou-a até o interior de uma igreja. Então com conchas de ostra, arrancaram sua carne e queimaram seus ossos. Este foi o início do agressivo antipaganismo que mais tarde provocou o incêndio da grande biblioteca da Alexandria. Hipátia foi uma mulher de força incomparável que parecia não temer nada. Teve a coragem de entregar a Sabedoria Antiga no meio de um mundo intelectual nascente e não lhe importou que isso tirasse a sua vida.

Hipátia gozava de tal renome, que sua reputação parecia literalmente incrível.

Fonte: EducVopusWikipédia